domingo, abril 16, 2006

Mais uma fornada …

È o que costumamos ouvir em relação à meia centena de bravos que anualmente, por esta altura está em condições de acabar o curso daqui por uns meses. Recuso-me a encaixar os meus camaradas nesse rótulo, nessa designação tão comum, enfim … na mediocridade!

Corro o sério risco de não mencionar tudo nem todos os que fazem com que sejamos diferentes, mas como amante do risco que sou, cá vai e começo por referir algo que poucos devem saber, o primeiro caso do tão falado H5N1 foi com um comparsa nosso. Os médicos tentaram abafar o caso e dizer “ah e tal, isso foi porrada”, mas quando o Patinhas partiu o mesmo pé duas vezes no mesmo ano, eram os primeiros sintomas do vírus denominado agora no vulgo por “gripe das aves”. O Graxa por exemplo, que ainda há bem pouco tempo ganhava a vida a engraxar sapatos a doutores e agora, é delegado e presidente do NAECUM, quem diria! O Van Gaal, abandonou uma carreira promissora como treinador do Panóias, começou a tirar notas logo na praxe e agora, é o nosso Mourinho. Ao invés o Peter, que rejeitou um contrato milionário do Crespos para assinar pelas Pombinhas, equipa que já ganhou um jogo desde a sua criação. E o Yonader que veio do país vizinho sem conhecer nada, nem ninguém, para garantir que a barraca de economia do enterro da gata estará sempre segura e de pé?! Um esforço de louvar! Para conviver neste grupo de alunos, por excelência, vieram pessoas dos quatro cantos do mundo, como o Wang (que deixou para trás a fabrica da família onde se exploram mulheres e crianças 26 horas por dia), o Biki (que perdeu oportunidade de ser um guerrilheiro famoso dos concursos de Paintball de Maputo ou o Kasparov da savana africana), a Liliane e a Marisol (que vieram para Portugal com a ilusão de salários milionários, mas acabaram sim por descobrir a verdadeira vocação no Minho) e o SD (que veio para a construção civil um ano só para esperar pelo ano abençoado), enfim todos fizeram sacrifícios para cá estar, onde e quando todos queriam estar! Outros foram os que se aventuraram no estrangeiro. O Agassi tentou uma carreira de tenista em Varsóvia, mas devido a uma luxação no pulso seguida de uma grave rotura dos ligamentos cruzados do dedo anelar, teve que acabar prematuramente a carreira. Já a Adriana que teve uma aventura na mesma cidade, com a tentativa de registar uma nova patente de um tipo de vodka que, provou e de que maneira em Ponte de Lima. A Pipi e a Diana (e esta deve ser prai a primeira vez que refiro os nomes delas seguidos), viajaram para Atenas para concretizarem o seu sonho, o casamento! (sendo que a Diana exigiu antes de partir que a marcha nupcial fosse substituída pelo clássico “na minha cama com ela”, cantado pela Helena da Trofa).

A Shonia que se fartou de gritar nos primeiros meses desta experiência, lá conseguiu um lugar a sub-delegada e um degrau extra na cantina para chegar à sopa. Nesta caminhada, alguns foram os percursos que se cruzaram, como o do Prazeres e da Touguinhó para os quais foi apenas preciso um jantar dos duros para resolver os “detalhes” que estavam pendentes ou até o Tony (Bitoque) e a Tânia que não partiam um pratinho e agora partem a loiça toda (mas em casa e só os dois). Uma palavra aqui também para o Pauleta, que chegou como craque e capitão para a equipa dos reumáticos, mas com o suceder de lesões ganha cada vez mais o estatuto de eterna promessa e parece agora mais virado para a carpintaria (marteladas, pregos e tal...). Da Trofa veio um robusto clã (grande grupo de meninas muito sorridentes entenda-se), ao qual se juntou uma menina (não menos sorridente) das Taipas e juntas formaram a equipa (Helena, Carla, Mariana e Cati) que protagonizou o maior sucesso de kit’s de todos os tempos (ainda hoje utilizo o boné e o pólo para vindimar!) e da Povoa de Lanhoso as duas primas Pinheiro (um manso outro bravo), objectos de culto de um professor de Economia muito reputado (quem não se lembra da “cena do nove e meio” e a do “bom marido para casar”). O Pena, Che Guevara na praxe, Baco por uns tempos, acaba esta fase da sua vida tal qual o Sampaio nos seus tempos de presidente (não faz mal a uma mosquinha e já se fala em estratégia concertada entre o PCP e as associações de defesa dos animais!). O Niko e o Jardelio fizeram uma pausa na carreira, como caçadores de autógrafos à porta do estádio da luz e vieram fortalecer o espírito comunicativo (e de que maneira) desta equipa, sendo que o primeiro já assumiu ter como objectivo para o primeiro salário a compra de um apito dourado.

Quanto ao Subtil, deixou de ser o protagonista do único programa de interesse na RTP à tarde, para vir mostrar aos mais novos e a alguns de nós como se bebe (não é Chop!?) e o Dodot ainda mal dava os primeiros passos quando chegou, já faz quilómetros de madrugada pelas ruas da cidade de Braga.

Claro que nem tudo correu bem, pelo caminho assistimos a alguns acidentes. Quem não se lembra do choque entre a Rosário e a Carla em pleno jogo das Eco Dream Team sem danos de maior (aparentemente...) ou da Vânia que embora só tenha tido um, é um verdadeiro perigo ao volante, é o que dizem!

O Chapa, o nosso “metaleiro” de risca ao meio, rezou meses a fio virado para Meca para conhecer o Maynard (não o Keynes, mas o vocalista dos Tool ... são gostos!) e o Rafa, o nosso atleta, teve um controlo anti-doping positivo e encontra-se suspenso de qualquer tipo de aulas à quatro anos(Alguém o tem visto?). O Tarzan (André) e o Apache deixaram a selva e as suas leis para se dedicarem à culinária e a todo o tipo de tarefas domésticas sob vigilância das verdadeiras feras (parece que já desencalharam!). O Yorn faz espectáculos exibicionistas com aquilo que o distinguiu na praxe e limpa o chão de alguns bares com as costas nas horas vagas à noite e o Machado continua com as acrobacias com carros (de inicio atirava-se de cima deles, agora é um perigo dentro deles) e com copos, tudo para arranjarem dinheiro para uma empregada que lhes limpe os cantos da casa (até nos sítios mais manhosos e escondidos). Trajectos difíceis e distintos, os que levaram à formação deste grupo de elite.

Uma palavra também para os mestres. Quem não se lembra dos conselhos virados para as fórmulas mágicas de estudo (aquelas que todos nos fartamos de aplicar durante o curso), ou daqueles que conseguem acompanhar o nosso ritmo, nos jantares com os Professores (Bravo!). De referir também as aulas de Direito, Epistemologia e IGO, aulas muito produtivas em termos de marcação de jantares e discussão do futuro do país (pelo menos no concerne à arbitragem). Não menos marcante, a voz do professor que faz inveja a qualquer bom despertador suíço (e ainda por cima entoava nas salas vazias às oito da manhã) e um outro que fazia lembrar a Amália versão “geração rebelde”com as suas cantarias (êxitos gravados e editados como “capital intensivo”)! Outro momento inesquecível, as aulas do professor que faziam lembrar os serões sintonizados no canal dezoito (televendas e coisas afins) ou o professor que parece um livro de histórias, que vão desde engenheiros, a anões, cavalos marinhos, contabilistas ás cabeçadas à parede e lojas de biquinis no Iraque.

Por tudo isto e muito mais, a nossa marca demorará a desaparecer desta academia, permanecerá como um vinco no tempo, como um exemplo. Podemos não ter sido sempre brilhantes, mas fomos únicos e inesquecíveis! Por tudo isto, a todos ... Obrigado! Por serem parte importante e indispensável desta fase maravilhosa das nossas vidas.

Hélder Guimarães e Jorge Machado in "XEKnomics"

1 comentário:

Anónimo disse...

Ah foda-se, vivam os mal agradecidos!... É sempre bom ver o o fruto do nosso trabalho (não) mostrar a sua gratidão...

Depois admiram-se que a gente não apareça para uns copos...

Os Doutores